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Foto cortesía Kathleen Barry, UMCOM.

O Ciclo do Natal corresponde a quatro tempos litúrgicos do calendário cristão, a saber: Advento, Natal, Epifania e Batismo do Senhor. Esse ciclo tem início quatro domingos antes do Natal e se estende até o Batismo do Senhor.

Para celebrar o Natal de acordo com o calendário cristão

 

* Rev. Luiz Carlos Ramos e Rev. Luciano José
12 de dezembro de 2016

O Calendário Litúrgico, ou Ano Litúrgico, não é uma ideia, mas uma pessoa: Jesus Cristo e o Seu mistério realizado no tempo, que hoje a Igreja celebra sacramentalmente como memória, presença e profecia (cf. Dicionário de Liturgia. São Paulo: Paulinas, 1992, p. 58). O Ano Litúrgico se baseia, portanto, na história da salvação, cujo centro irradiador é o mistério pascal e a união em Cristo. Esse evento histórico é celebrado como memorial litúrgico, que atualiza a mensagem da salvação e desafia a comunidade de fé na direção da consumação do Reino de Deus.

SÍMBOLOS PARA O ADVENTO

Coroa do Advento: simboliza a realeza de Cristo; Velas: simbolizam a chegada de Cristo como luz do mundo; Luzes: símbolo da luz que ilumina as trevas, o próprio Cristo. SÍMBOLOS PARA O NATAL Anjos: simbolizam aqueles/as que anunciam o nascimento de Jesus; Crianças: simbolizam a festa da chegada do menino Jesus; Sinos: simbolizam o anúncio festivo da chegada do Messias; Presépio: simboliza o local do nascimento de Cristo.

SÍMBOLOS PARA A EPIFANIA E BATISMO DO SENHOR

Coroa dos Magos: simboliza a procura pelo Cristo prometido; Estrela: simboliza a luz que aparece no horizonte para a chegada de um novo tempo; Mãos: símbolo da força de Deus e Sua providência a toda a criação; Presentes: além do presente maior dado à humanidade, Cristo, simbolizam também os presentes dados pelos magos.

CORES

No Advento, usa-se o roxo, o lilás e o rosa. O roxo significa contrição, daí a matização das cores no sentido de ir clareando conforme a chegada do Natal. O rosa, geralmente, é usado no quarto domingo do Advento, que simboliza a alegria. Para o Natal, utilizam-se as cores: branco e/ou amarelo, símbolos da divindade, da luz, da glória, da alegria e da vitória que o nascimento de Cristo representa para a humanidade.

Os 4 grandes ciclos do calendário cristão

Ao longo dos séculos, convencionou-se uma estrutura para o Ano Cristão que se organiza em quatro grandes ciclos: Natal, Primeiro Tempo Comum, Páscoa e um Segundo Tempo Comum. Esses ciclos subdividem-se, por sua vez, em tempos específicos. Nesta edição publicaremos apenas o Ciclo do Natal.

Ciclo do natal

O Ciclo do Natal corresponde a quatro tempos litúrgicos do calendário cristão, a saber: Advento, Natal, Epifania e Batismo do Senhor. Esse ciclo tem início quatro domingos antes do Natal e se estende até o Batismo do Senhor.

A) Advento

O Advento é o tempo que marca o início do calendário litúrgico cristão. Sua origem é documentada a partir do século IV a.C. Semelhante à preparação da Páscoa, expiação de Cristo, o Advento surge como preparação para o nascimento de Jesus, o Natal. Advento, do latim adventus, significa "vinda", "espera". Trata-se de uma celebração cujo foco é a expectativa da vinda do Messias, o Cristo prometido.

Nesse período, celebrase a espera do Messias e pode ser dividido em duas partes: os dois primeiros domingos enfatizam o Advento Escatológico; o terceiro e o quarto domingos, a Preparação do Natal de Cristo. Dessa forma, o Advento tem a dimensão da expectativa da segunda vinda de Cristo, bem como a expectativa da chegada do Messias que concretiza o Reino, o "já" e o "ainda não", que significam viver à espera do cumprimento das promessas e renovar a esperança no reino que virá.

A espiritualidade do Advento é marcada pela esperança e pelo aguardo do Messias prometido; a fé na concretização da promessa; o amor que se demonstra com a chegada do Messias e a paz por Ele anunciada e plenificada.

B) Natal

O segundo tempo litúrgico desse ciclo é o Natal. Essa celebração teve sua origem em meados do século IV d.C., entretanto, sua aceitação como festa cristã ocorreu no século VI d.C. O Natal surgiu com a finalidade de afastar os fiéis da festa pagã do natalis solis invictus ("deus sol invencível") e passou a significar a chegada do Messias, o "sol da justiça" (cf. Ml 4.2), já anunciado e aguardado no Advento.

Natal, na acepção da palavra, significa "nascimento", entretanto, para as/os cristãs/ aos, a partir do século IV d.C., esse significado é ainda mais profundo, pois, com o nascimento de Cristo, celebra-se "o Verbo que se fez carne e habitou entre nós", o Deus infinitamente rico se faz servo e habita entre os/as despossuídos/as da terra.

É esse Verbo que atrai para Si toda a criação, a fim de reintegrá-la ao projeto salvífico de Deus. A espiritualidade desse período enfatiza a humanidade de Cristo e a salvação que n’Ele é absoluta.

C) Epifania

O terceiro tempo desse ciclo é a Epifania, que surgiu no Oriente como festa da manifestação do Cristo encarnado. Somente a partir do século IV d.C. Passou para o Ocidente, a fim de rememorar a visita dos reis magos ao Messias que havia chegado. Epifania, do grego Thifimeia, significa “manifestação”, “aparição”.

Antes de tornar-se um termo utilizado pelos/as cristãos/ãs, significava a chegada de um rei ou imperador. A partir de Cristo, tem a conotação de manifestação do divino ao mundo, que no Antigo Testamento era expressa pelo termo “teofania”.

Esse tempo celebra a manifestação de Cristo aos seres humanos no momento em que os reis do Oriente seguiram a estrela em busca daquele que viria a ser o Salvador por excelência. A Epifania é para o Natal o que o Pentecostes é para a Páscoa, isto é, desenvolvimento e permanência do ato de Cristo em favor da humanidade.

A espiritualidade desse período é caracterizada pela manifestação e aparição de Cristo ao mundo. É o Cristo prometido que se torna uma realidade na vida de mulheres e homens que procuram a paz, a justiça e o amor.

D) Batismo do Senhor

O Batismo do Senhor é celebrado no primeiro domingo após a Epifania e representa o início da missão de Jesus no mundo.

Esse tempo é parte da manifestação de Jesus aos seres humanos, por isso, trata-se de uma continuidade da Epifania. Diferenciando-se pelo fato de que, na Epifania, é o ser humano (representado pelos magos) que vai a Cristo, ao passo que, no Batismo do Senhor, é Deus (por meio de Jesus Cristo) que vem até o ser humano, a fim de cumprir Sua missão.

Por isso, a espiritualidade desse dia é marcada pela missão iniciada por Jesus em prol dos/as menos favorecidos/ as e dos/as injustiçados/as. Com o Batismo do Senhor termina o Ciclo do Natal, dando-se início ao Tempo Comum ou Tempo após Epifania.

* Texto do Rev. Luiz Carlos Ramos com coautoria do Rev. Luciano José de Lima (in memorian) e da Revda. Suely Xavier dos Santos. Este artigo foi originalmente publicado em Christian Expositor. Para ver o artigo abrir aqui.